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El Niño forte se estenderá até 2027

Publicado em 17/09/2026

Fenômeno trará chuvas excessivas ao sul e irregulares ao centro-norte do Brasil

 

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico vai atingir níveis históricos no segundo semestre de 2026. A temperatura deve alcançar três graus acima da média e permanecer nesse patamar por toda a próxima safra de verão, segundo projeção do Centro do Previsão Climática (CPC), dos Estados Unidos. No entanto, o clima não se comportará como tradicionalmente acontece em anos de El Niño. A presença de uma grande mancha de águas frias no litoral da Argentina e do Uruguai, a exemplo do que ocorreu no outono deste ano, vai seguir favorecendo a formação de ciclones que impulsionarão ar frio em direção ao continente. Com isso, massas de ar polar provocarão vários eventos de quedas de temperatura, o que é incomum em anos de El Niño. O ar mais frio e seco também pode amenizar o excesso de chuvas no sul do Brasil.

No centro-norte do Brasil, o fenômeno costuma reduzir as chuvas. Ronaldo Coutinho do Prado, da Climaterra, alerta que as precipitações ficam mais irregulares e podem atrapalhar o plantio da safra de verão. “Muito cuidado porque vai ter chuva, mas também vai ter veranicos prolongados, com cortes nas chuvas em Mato Grosso, norte de Mato Grosso do Sul e no Matopiba em agosto, setembro e outubro”, projeta. Ele explica que essa condição pode “enganar” produtores com a impressão de fim da estação seca, mas com risco de ser sinal falso, com novos períodos secos e de altas temperaturas. Para complicar ainda mais, o aquecimento do Oceano Atlântico no litoral do Nordeste pode provocar chuvas acima da média na colheita da safra de verão nos estados do centro-norte do país.

Coutinho avalia que, apesar de a mancha de águas frias no litoral da Argentina e do Uruguai ter potencial para conter parcialmente as chuvas no Sul do Brasil, deve chover em excesso na região durante a safra de verão. “Será um El Niño extremamente forte”, adverte.

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