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19/07/2012 | Heranças do cooperativismo

Futuro aos jovens do campo e empregos na cidade são principais benefícios

Ainda é escuro quando o mugido de vacas holandesas e jersey desperta um casal de produtores e a filha mais nova na casa de madeira na localidade de Vila Candeia, interior de Maripá (oeste PR). Eles se dirigem aos fundos da propriedade onde 70 vacas de até 650 quilos começam a se movimentar próximo a um estábulo. Os três, com o auxílio de um casal funcionários e de ordenhadeiras, cumprem sua tarefa diária e duas horas depois 750 litros de leite repousam dentro do resfriador. A rotina é repetida a partir das 4 horas da tarde e a produção de 1.500 litros/dia responde por 85% da renda da família Moers.
A produtividade média de 21 litros/vaca/dia veio à base de investimento em genética, manejo, alimentação e gosto pela atividade. “Sempre digo que leite não é prá quem quer produzir, mas sim prá quem gosta. Tem que trabalhar das 5 da manhã às 8 da noite todos os dias do ano”, conta Guilherme, lembrando que ele e a esposa Elfrida começaram, há 31 anos, com três vacas que davam não mais que 30 litros de leite por dia, tirados a mão.
O começo exigiu persistência, pois a precariedade das estradas e os poucos produtores praticamente não viabilizavam uma linha de recolhimento de leite. O casal se manteve firme e foi se estruturando lentamente, apoiando-se em cooperativas. A rede de energia elétrica foi instalada pela Cooperativa de Eletrificação Rural de Palotina, a assistência técnica passou a ser prestada pela C.Vale e o leite era entregue à Frimesa. Vieram as filhas Everly e Camila, e quando elas chegaram à faculdade foi o leite que permitiu aos Moers garantir-lhes o ensino superior. Sentado na varanda da casa em uma tarde de maio, Guilherme lembra que era necessário o equivalente a seis mil litros de leite por mês para pagar as despesas dos cursos de Ciências Biológicas de Everly e de Medicina Veterinária de Camila. Cheia de orgulho, Elfrida diz que o investimento nos estudos se paga. “A Everly é professora e a Camila é nosso braço direito na propriedade.”

INVESTIMENTOS
Depois que Camila concluiu o curso e voltou para casa, Guilherme e Elfrida decidiram investir na ampliação da produção. Tomaram um empréstimo na cooperativa Sicredi e construíram um estábulo pelo sistema free stall, onde as vacas recebem alimentação e podem se locomover livremente. Sem precisar procurar alimento, os animais não gastam energia e podem produzir mais leite. “O nosso desafio é ter 100 vacas em lactação e produzir três mil litros por dia”, projeta Guilherme. Aos 67 anos, ele conta com o conhecimento adquirido por Camila na faculdade e com o gosto dela pelos animais para dar sequência à atividade. Esse gosto a filha mais nova herdou da mãe, que garante conhecer e chamar cada uma das 70 vacas pelo nome. Enquanto Elfrida põe na calçada para se aquecer, sob o sol de outono, nove filhotinhos de cachorro, Guilherme pergunta aos repórteres da revista C.Vale se eles sabem quem “puxa a frente” para tirar o leite ainda de madrugada. Depois de ouvir uma resposta negativa, o pai enche o peito de ar e escolhe bem as palavras, enquanto um brilho vai lhe tomando conta dos olhos. “É essa baixinha aí, ela levanta todos os dias as 4h15”, afirma Guilherme, orgulhoso, apontando para Camila. Em seguida, acrescenta que entre suas alegrias está o fato de a família ter melhorado de vida com o apoio da C.Vale, cooperativa da qual é sócio há 38 anos. “Não saberia me virar lá fora sem a cooperativa. Me sentiria órfão.” Outra felicidade ele sentiu no dia em que a filha Camila chegou e lhe disse: “Pai, quero criar meus filhos do jeito que o senhor me criou.” 

Com renda da produção de leite, Camila permanece no campo para dar sequência à atividade do pai Guilherme, em Maripá

Maripá, gente que coopera vive bem

Cooperativismo ajudou município a se destacar em qualidade de vida

Produtores como os da família Moers criaram, ao longo de quase quatro décadas, o hábito de operar com cooperativas. Em poucas cidades do Brasil, esse costume é tão forte quanto em Maripá. O gerente local da Sicredi Vale do Piquiri, Eduardo Anschau, revela que a agência tem 2.094 associados, o que representa 64% da população economicamente ativa do município. A grande maioria dos 5,9 mil habitantes tira sua renda da produção de soja, milho, mandioca, leite, frangos, suínos e peixes em pequenas propriedades. Os 410 associados da C.Vale foram responsáveis por 68% da produção agropecuária do município em 2011, segundo a Secretaria da Fazenda do Paraná. “Maripá é um dos municípios em que os nossos associados mais pagam em dia as suas contas”, assegura o presidente da C.Vale, Alfredo Lang, atribuindo essa pontualidade à renda gerada pela diversificação de atividades oferecida pela cooperativa.
Ivanir Lazarin é proprietário de uma movimentada oficina mecânica no município. “Quando comecei, 25 anos atrás, tinha apenas uma caixa de ferramentas e muita disposição prá trabalhar. Hoje tenho uma oficina estruturada”, afirma, revelando que 90% de seus clientes são associados e funcionários da C.Vale.
Gonda Baú, moradora de Maripá há 39 anos e atual presidente da Associação Comercial, acompanhou a evolução da economia local. “Mais de 70% de nossas empresas dependem da cooperativa. Nosso comércio só continua forte devido à renda dos produtores e aos salários dos funcionários da C.Vale”, garante. Conhecida nacionalmente pelo cultivo de orquídeas e pelas corridas de tratores, Maripá ocupa a quinta colocação entre os municípios com melhor qualidade de vida do Paraná. (21 linhas)

Lazarin acelera os negócios

Ivanir Lazarin começou, de maneira modesta, a prestar serviços de manutenção de máquinas agrícolas em 1987 no município de Maripá. O trabalho agradou aos produtores e a clientela foi aumentando, impulsionada também por atividades alternativas aos grãos criadas pela C.Vale: frango, leite, suínos e mandioca. “Se existisse só soja e milho seria pior. Aumentou muito o meu serviço com a diversificação.” A renda extra do produtor se reflete no caixa de Lazarin. “Com a diversificação, o produtor fica com as contas em dia. Se eu sei que o produtor é associado da cooperativa, tenho mais segurança”, afirma.
A oficina garante o sustento de Lazarin, da esposa Doriana e das filhas Carla Beatriz, 19 anos, acadêmica de Engenharia da Produção, e de Júlia Maria, 14, que faz o ensino médio. “Maripá se desenvolveu com a cooperativa. O lucro do produtor continua no município, porque ele investe na propriedade, constrói casas e gasta no comércio”, interpreta o mecânico, que gosta de “envenenar” tratores para fazê-los chegar a 140 Km/h na pista de asfalto especialmente construída para competições disputadas uma vez por ano em Maripá.

Ivanir Lazarin: mecânico ganhou clientes com diversificação de atividades pelos produtores

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